Cartas do Jardim01 de jul. de 20264 min de leitura

Recebemos, no último dia 20 de junho, no Jardim da Amazônia, um grupo de pesquisadores, fotógrafos de natureza e profissionais da conservação que percorreu trilhas e rios com um objetivo comum: revelar ao mundo a extraordinária diversidade de primatas da Amazônia Meridional e fortalecer a Rota dos Primatas de Mato Grosso.

A expedição reuniu o primatólogo Dr. Gustavo Canale, do Instituto Ecótono, referência internacional na conservação de primatas brasileiros; o renomado fotógrafo Luciano Candisani e a fotógrafa de vida silvestre Cibele Manfredini, além do acompanhamento das biólogas Miriéli Costa Ramos e Loianne Curvo.

Também contou com a participação de Rodrigo Gerhardt, da World Animal Protection, ampliando o diálogo entre ciência, comunicação e conservação.

Parauacu em vida livre no Jardim da Amazônia. Foto: Cibele Manfredini.

Um território estratégico para os primatas

Mais do que produzir belas imagens, o grupo documentou um território estratégico para a biodiversidade brasileira, registrando espécies emblemáticas como o parauacu (Pithecia mittermeieri), o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek) e outros primatas que encontram no corredor ecológico do Jardim da Amazônia um de seus mais importantes refúgios.

A iniciativa integra as ações de divulgação da Rota dos Primatas de Mato Grosso, projeto coordenado pelo Instituto Ecótono, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Sociedade Brasileira de Primatologia, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio) e o Sebrae Mato Grosso.

Macaco-aranha-da-cara-preta (Ateles chamek). Foto: Cibele Manfredini.

Lançada oficialmente durante o Avistar Brasil 2026, a rota posiciona Mato Grosso como um dos principais destinos do turismo de observação de primatas no mundo.

Conservar também é conectar pessoas, ciência e territórios.

Jardim da Amazônia: conservação todos os dias

Fundado pela família Zanchet em 1997, o Jardim da Amazônia Lodge tornou-se referência internacional em turismo de observação de aves, vida silvestre e conservação da natureza.

Localizado em São José do Rio Claro (MT), no ecótono Amazônia–Cerrado, o empreendimento protege um importante corredor ecológico no Vale do Rio Claro e demonstra, há quase três décadas, que o turismo pode ser uma ferramenta efetiva para manter florestas em pé, gerar conhecimento científico e valorizar o patrimônio natural brasileiro.

Em 2023, em parceria com o Instituto Ecótono, foi implantada a Estação de Pesquisas Jardim da Amazônia, que apoia estudos científicos sobre primatas, grandes mamíferos e biodiversidade amazônica.

Atualmente, a estação abriga pesquisas sobre o parauacu, o macaco-aranha-de-cara-preta e o monitoramento da onça-pintada, recebendo pesquisadores brasileiros e internacionais interessados em compreender uma das regiões mais biodiversas da Amazônia Meridional.

Expedição da Rota dos Primatas de Mato Grosso no Jardim da Amazônia. Foto: Acervo Jardim da Amazônia.

Turismo que protege

Reconhecido como Important Bird Area (IBA) e integrante da comunidade Feel Brasil, iniciativa da Embratur e do Sebrae, o Jardim da Amazônia reúne mais de 590 espécies de aves registradas, além de dezenas de espécies de mamíferos, primatas, répteis e anfíbios.

Seu trabalho demonstra que hospitalidade, pesquisa científica e conservação não são atividades independentes. Juntas, tornam-se uma poderosa estratégia para proteger ecossistemas, fortalecer economias locais e inspirar uma nova geração de viajantes.

Um futuro construído em parceria

A divulgação da Rota dos Primatas de Mato Grosso reforça o papel das parcerias entre instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil, fotógrafos, operadores de turismo e iniciativas privadas comprometidas com a conservação.

Cada expedição, cada fotografia e cada pesquisa realizada ajudam a transformar conhecimento em proteção e visitantes em aliados da natureza.

Seguimos à disposição para apoiar agências e parceiros na construção de roteiros conectados à biodiversidade, à pesquisa e à conservação.

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